Arquivos de Categoria: Obras Publicadas

Viva a História alternativa – Crítica a novela Novo Mundo – Revista Veja 26/04/2017

Fui um dos consultores da Revista Veja para ajudar na matéria “Viva a história alternativa”, onde o reporter Marcelo Marthe tentou definir até onde vai a ficção na novela Novo Mundo.

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D. Leopoldina – Correio da Paraíba

D. Leopoldina, a história não contada foi capa do Caderno 2 do Correio da Paraíba no último domingo, dia 16 de abril. Confira a matéria assinada pelo jornalista Kubitschek Pinheiro

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Mais D. Pedro IV na imprensa do outro lado do Atlântico

O Diário de Notícias, jornal português, deu uma nota sobre o meu livro recentemente lançado na “terrinha”. E não parece que os gajos ainda sentem algum ressentimento pelo D. Pedro “Figura que por cá muito pouca gente tem interesse em conhecer” ???? Ora pois…

A outra nota saiu no principal jornal desportivo de Portugal, com tiragem de mais de 30 mil exemplares… A cultura de lá e de cá é bem diferente. Jornal de esporte daqui recomendando leitura de biografia e de história sem relação com esportes? Difícil…

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Palestra sobre D. Pedro no Consulado de Portugal em São Paulo

Palestra proferida no Consulado de Portugal em São Paulo a respeito do meu último livro. D. Pedro. a história não contada. São Paulo, Ed. LeYa, 2015. O evento ocorreu em 19 de abril de 2016 e foi noticiado pela POR. Câmara Portuguesa em Revista. A matéria segue abaixo na íntegra.

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D. João e d. Pedro em Niterói

Recentemente recebi um e-mail de um leitor, o Cadu Amorim. Ao ler o meu último livro: D. Pedro, a história não contada, ele se deparou, na página 91, com a seguinte narrativa:

Em 13 de maio de 1816, no aniversário de d. João VI, tropas recém-chegadas de Portugal para a tomada de Montevidéu foram passadas em revista por ele – em uma de suas raras aparições a  cavalo – e seus filhos d. Pedro e d. Miguel, que despertaram atenção pelo porte garboso com que montavam e pelos trajes de oficiais que usavam. O evento realizou-se na Vila Real da Praia Grande, atual cidade de Niterói. Depois de terminada a revista, houve o tradicional beija-mão, que se prolongou até as 16 h, quando foi interrompido pela queda abrupta do príncipe d. Pedro ao chão. Segundo Alberto Rangel, o príncipe ficou com “a face imóvel; os olhos fixados; desordenados os movimentos; suas palavras eram incoerentes e da boca lhe escorria a espuma de um cão danado”. Levaram-no para uma casa próxima, onde ele pôde descansar até recuperar os sentidos e aliviar a dor de cabeça antes de ser transportado para seus próprios aposentos. Esse era o sexto ataque sofrido pelo príncipe de 17 anos.

O Cadu, como amante de história que é, e conhecendo bem o Rio de Janeiro e região, não somente localizou o local onde d. João VI passou as tropas em revista e deu o beija-mão, como enviou fotos do monumento que encontrou celebrando o fato. O monumento localiza-se na atual Praça General Gomes Carneiro, também conhecida como a Praça do Rink.

Na época que ocorreu, o fato que eu narro no meu livro, a paisagem era outra, as águas da Baia da Guanabara chegavam até o local como podemos ver na gravura feita por Debret para ilustrar o acontecimento:

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Se você vivenciou algo semelhante, por exemplo: leu algo em algum dos meus livros e conhece determinado local onde a história aconteceu ou foi atrás e tem alguma coisa pra contar ou foto pra mostrar, e queira dividir, entre em contato! Quem sabe gera um post aqui? Bom, mas já escrevi muito, seguem as fotos que o Cadu gentilmente enviou.

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Show da Lítera no Showlivre: Musica para d. Pedro e Domitila

Show da banda Lítera no Estúdio Showlivre falando sobre o álbum Caso Real, que gira ao redor do relacionamento dentre a Marquesa de Santos e d. Pedro I

Entrevista para o jornal Estado de Minas – Lançamento do livro Domitila, a verdeira história da Marquesa de Santos

Em entrevista para a jornalista Ana Clara Brant do jornal Estado de Minas conto um pouco sobre a aventura de biografar uma mulher do porte de Domitila de Castro, a Marquesa de Santos e já adianto o próximo projeto, a biografia de D. Pedro Iestadodeminas

Palestra proferida no 2º Festival de História em Diamantina

Diamantina é uma viagem no tempo. Sua arquitetura, suas casas com gelosias, muxarabis e rótulas me fazem imaginar como seria a São Paulo da época de minha biografada, a Marquesa de Santos.

Assim como Diamantina tem a Casa da Chica da Silva, São Paulo tem o Solar da Marquesa de Santos, último remanescente urbano em taipa de pilão da capital. Estudando os usos e costumes dessa habitação paulista, me deparei com a história da sua famosa proprietária: Domitila de Castro do Canto e Melo.  A mais memorável das amantes de D. Pedro I viveu esse relacionamento com o imperador por sete anos, mas e o restante de sua vida? O que ela fez nos outros 62 anos que viveu? Essa pergunta levou quatro anos para ser respondida.

Chica da Silva e a Marquesa de Santos têm diversas semelhanças entre si:

– Ambas são personagens femininas icônicas por suas transgressões, pelo rompimento com os papéis impostos pela sociedade.

– As duas ascenderam social e economicamente por conta do exercício da sua sexualidade.

– Destacaram-se, cada uma dentro de um perímetro social específico, por conta dos homens poderosos com quem se relacionaram. Tanto o Contratador dos Diamantes quanto o Imperador do Brasil procuraram elevá-las cultural, econômica e socialmente.

As semelhanças entre Domitila e Chica avançam, beirando a curiosidade:

– Ambas têm questões envolvendo igrejas: Chica é até hoje lembrada por a torre da Igreja da Ordem Terceira do Carmo, em Diamantina, ser deslocada para o fundo da nave. Querem uns que isso foi feito para não perturbar seu sono, uma vez que sua casa era próxima, e o som dos sinos chegava até ela. Outros acreditam que, devido à proibição de os negros avançarem para dentro da igreja “além das torres”, ou seja, não irem além da entrada, a torre teria sido construída próximo do altar para Chica poder assistir à missa em local mais nobre. Quanto a Domitila, que morreu usando as vestes de irmã leiga da Ordem Terceira do Carmo, é famoso o caso de bullying pelo qual ela passou na Capela Imperial, quando, ao adentrar o local reservado às damas do paço, todas as que estavam na tribuna se levantaram e se retiraram, deixando-a sozinha. Alguns dias depois, um decreto imperial a elevava a Dama Camarista da Imperatriz, posto que a colocava hierarquicamente acima das demais damas do paço.

– Tanto Domitila quanto Chica da Silva tiveram 14 filhos.

– Ambas foram temas de minisséries da extinta TV Manchete. Se os programas ajudaram a democratizar e popularizar suas imagens, também contribuíram para perpetuar os mitos já estabelecidos e criaram outros, buscando, pelo escândalo, elevar o número de espectadores.

A profa. Júnia Furtado, em seu livro Chica da Silva e o Contratador dos Diamantes, ajudou a desmontar os mitos da Chica por meio da pesquisa histórica. Do mesmo modo, procurei fazer isso no meu livro Domitila, a verdadeira história da Marquesa de Santos.

Esse tipo de trabalho só é possível inquirindo-se fontes primárias e secundárias e fazendo a elas, quando possível, perguntas básicas:

– Quem disse o quê?
– Qual o contexto?
– Qual a motivação?

Impossível em meia hora aprofundar muito essa abordagem dentro da pluralidade do trabalho que realizei, analisando tridimensionalmente a minha personagem. Por isso o tema que escolhi para desenvolver nesta palestra foi a respeito de como o relacionamento entre D. Pedro I e a Marquesa de Santos foi apropriado politicamente e como isso influenciou a construção da imagem e da memória de Domitila.

O local físico onde surgem os textos referenciados é o Rio de Janeiro, que é tanto o cenário onde o relacionamento se desenvolveu quanto o local de poder, de decisões que envolvem todo o país, o centro nervoso do Brasil da época.

Não vou explicar, nesta palestra, quem foi a Marquesa de Santos, quando nasceu, quantos filhos teve etc. Isso farei durante o bate-papo que terei com vocês no lançamento do meu livro no Mercado dos Tropeiros, logo mais. O que nos interessa neste momento é o ponto em que a profa. Isabel Lustosa, em sua palestra, parte com D. Pedro para a Europa. A nossa data inicial é logo após a abdicação de Pedro I, 7 de abril de 1831. Poucos meses depois, surge no Rio de Janeiro um folheto intitulado: Cartas dos amantes de São Cristóvão. Um primeiro folheto referenciando o relacionamento extraconjugal de D. Pedro e Domitila. O livro sai às vésperas do feriado de 7 de setembro, comemorado oficialmente desde 1826. Os cariocas então poderiam aproveitar o feriado para botar a fofoca a respeito do relacionamento em dia.

Em paralelo a isso, entre 1831 e a morte de D. Pedro, em Portugal, em 1834, os jornais, principalmente os cariocas, irão mover uma forte campanha política contra o ex-imperador. E a Marquesa de Santos, ícone do Primeiro Reinado que continuou vivendo no Brasil, passa a ser, na imprensa, a grã-sacerdotisa culpada por grande parte dos males nacionais. O periódico Sete de Abril foi o que mais utilizou a imagem da marquesa para escarnecer o Primeiro Reinado. Em 2 de fevereiro de 1833, por exemplo, pediu a queda do ministério por não haver convidado a Duquesa de Goiás e a Marquesa de Santos para os funerais da princesa D. Paula, insinuando, ironicamente, que essa falta de etiqueta já havia ocorrido quando do falecimento de D. Leopoldina, causando a queda do ministério no início de 1827. Em maio, o mesmo jornal, em ataque a um discurso elogioso ao ex-imperador pronunciado na Câmara, perguntava ao deputado que o pronunciou por que não mencionou o decreto que fez “Primeira Dama a Marquesa de Santos, em desfeita a tantas senhoras honradas […] os motivos desta promoção cobrem de rubor as faces de quem os conhece”. O artigo terminava com a insinuação do envolvimento de Domitila na morte de D. Leopoldina, ocorrida sete anos antes: “[…] célebre marquesa, de quem muitas coisas se disseram na morte da imperatriz, que pareceram confirmadas pelo baronato do Inhomiri” – médico que acompanhou D. Leopoldina no seu leito de agonia e morte.

Em 1886, às vésperas de ser lançada a obra de Melo Morais Crônica geral e minuciosa do Império do Brasil, surge na imprensa carioca a notícia de que o autor tinha em seu poder cartas inéditas de D. Pedro I à sua célebre amante. Alguns jornais cariocas comentam que a corte havia se incomodado com tal notícia. O livro é lançado, e nele aparece uma carta em que D. Pedro recorda-se do dia em que ele e Domitila tiveram a primeira relação: 29 de agosto de 1822. A questão, nesse ponto, não é somente a imagem de D. Pedro I, é a imagem da monarquia em si.

Em 1891, cinco anos após o lançamento do livro de Melo Morais e dois anos depois da Proclamação da República, aparece, no Rio de Janeiro, a obra Cartas de D. Pedro I à Domitila de Castro, a Marquesa de Santos. O autor da introdução é o republicano Júlio Ribeiro, que copiou cartas inéditas que estavam com a filha de Pedro I e de Domitila, a Condessa de Iguaçu, e as publicou logo após o falecimento desta. Na introdução, Ribeiro pinta o primeiro imperador como um fauno devasso, produto de uma família de anormais e degenerados. O autor explica que somente num sistema de governo como a monarquia tais aberrações poderiam despontar como líderes. Ainda alega que as cartas somente vieram a público naquele momento devido à censura imposta pelo ex-imperador a respeito do assunto… Logo quem, o velho imperador Pedro II que não se importava com as caricaturas que dele produziam. Tal panfleto, claramente antimonarquista, fez bastante sucesso nas ruas do Rio de Janeiro. O jornal republicano O Paiz alimentou fervorosa campanha publicitária visando à venda da obra e, ironicamente, saudando o material como um “livro de cabeceira dos monarquistas”.

Para avançarmos até o século atual, recentemente, o ex-governador de São Paulo, Claudio Lembo, reeditando o velho falatório do Conselheiro Drummond, acusou a Marquesa de Santos de ser a primeira mensaleira do Brasil. Drummond, amigo dos Andradas, entrou no jogo do Patriarca da Independência em denegrir a imagem de D. Pedro acusando-o de ser manipulado por uma mulher. Numa época em que a mulher nada mais era do que uma propriedade, um objeto que devia respeito ao pai, aos irmãos e ao marido, ser manipulado por uma era o cúmulo da falta de pulso, de firmeza. Para encurtar a história, Lembo, como não leu meu livro, acreditou que Domitila já era influente o suficiente em 1823 para conseguir, a soldo, fechar, na cama, a Assembleia Constituinte.

A construção da memória da Marquesa de Santos passa, obviamente, pelo tráfico de poder que existia na corte. Não estou aqui para defendê-la disso, muito pelo contrário, existem provas documentais primárias do exercício desse tráfico realizado por ela. O que ninguém fala é das cartas em que o “manipulável” D. Pedro I nega-se a realizar alguns dos favores solicitados. O tráfico de poder, na corte, era realizado por diversas pessoas, incluindo a própria Imperatriz D. Leopoldina. Existe uma carta da Imperatriz para seu secretário falando sobre negociatas. Mas esse tema nunca é explorado, afinal, isso não condiz com a imagem criada de uma pessoa sofrida e bondosa. Assim como também não combina com a imagem do grande Patriarca da Independência dizer que ele era tão, ou mais, farrista que o Imperador D. Pedro I. Que era um sujeito que adorava dançar, se divertir, tinha amantes e chegou até a raptar uma sua filha bastarda quando veio embora da Europa e a casou com o seu irmão.

Em São Paulo, onde Domitila viveu por 62 anos, outras imagens surgem de sua pessoa, de sua história. Muitas dela devido às benemerência que praticou. O mais comum é se dizer que ela foi a pessoa que doou as terras para a construção do primeiro cemitério municipal. Na verdade, isso não é exato: ela doou dinheiro para a construção, decoração e compra de peças litúrgicas para a capela do cemitério. Mas, pesquisando sobre ela nos jornais paulistas, descobri diversas agitações sociais capitaneadas por ela, ou onde o seu nome aparece:

– Figura agregadora entre a sociedade paulista tradicional e os jovens estudantes de direito da Academia de Direito de São Paulo. Em sua quase totalidade, esses estudantes eram jovens vindos de outras cidades e províncias e que não tinham conhecidos em São Paulo. A marquesa os integrou à sociedade local por meio das festas e saraus que frequentemente dava em seu solar no centro da cidade.

– Domitila doou fundos para a construção da primeira sede própria da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

– Criou dispensários para os pobres.

– Doou dinheiro para a causa da Guerra do Paraguai.

– Ajudou na campanha para arrecadação de fundos para a reconstrução de Cabo Verde, devido à fome que grassava naquele país africano.

– Pediu para ser internada junto com o último marido, o brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar, no presídio onde este cumpria pena, para poder cuidar dele. Aguiar sofria com diabetes e nefrite.

Ah, mas vocês devem estar pensando, isso é peso na consciência por tudo o que Domitila havia aprontado antes na corte, no Rio de Janeiro, pelo seu escandaloso relacionamento com o imperador, pelas humilhações causadas à imperatriz. Porém já havia, muito antes de qualquer possível remorso de sua parte, indícios de sua benemerência. Na época em que viveu no Rio de Janeiro, temos dois exemplos: a reconstrução da Igreja de São Cristóvão e a doação de dinheiro para a Campanha da Cisplatina.

Mas afinal de contas, quem era essa mulher? Ela era boa ou má? Não nos cabe aqui julgar. O historiador não pode se colocar como juiz da moralidade alheia. Como diz Trotsky na introdução da História da Revolução Russa: “Deixo a moralidade para os moralistas”. O historiador não deve concorrer para a realização de construções maniqueístas, afinal, o ser humano é plural. A idiossincrasia é inerente à personalidade humana.

Agradeço a todos pela atenção.

Lançamento do Domitila, no jornal O Globo

O lançamento do livro Domitila, a verdadeira história da Marquesa de Santos foi tema da matéria da página de História do Jornal O Globo, de sábado, dia 21 de setembro

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Titília e o Demonão inspiram artistas plásticos em Porto Alegre

Nos dias 18 e 19 de junho na praça Dr. Maurício Cardoso, bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre, o grupo Coletivo Criativo Somaisarte, com o paio do Café Dometila, irá pintar ao ar livre as cartas de amor de Dom Pedro I à Domitila de Castro, a marquesa de Santos.

“Quando fomos conversar com o Café Dometila, nossa ideia era apenas ter uma âncora de apoio para resguardo dos materiais. Porém a receptividade do Clainton (proprietário do café) foi tão intensa que o projeto cresceu. E o que era um encontro para pintarmos juntos resultou em interpretar as cartas de Dom Pedro e Domitila. O livro recém lançado, do autor Paulo Rezzutti, acabou transformando-se a base desse projeto. Basta o título para dar inspiração: Titilia e o Demonão”, comentam os artistas.

O evento terá início às 9:30h, terminando ao por do sol.

Se quiser tomar um drink, um café e apreciar a arte, num ambiente maravilhoso, essa é a oportunidade única.

Para mais informações: Café Domitila, Praça Dr Maurício Cardoso, 49 – Porto Alegre – Tel.: (51) 3346-1592

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